COMO AGRAFAR O FUTURO DO PAÍS EM CIMA DE UM QR CODE

ROSARINHO1

 

Se há profissão que devemos admirar e respeitar, é a de professor!


Sem professores não existiriam tantas outras. São a base sólida, pois sem eles, nada seria possível para uma sociedade que se vai desenvolvendo, especializando pessoas em todos os seus setores.


E mais uma vez, vimos os professores a serem desconsiderados, por exemplo pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que acusou “alguns” professores de “perturbarem o processo” dos exames nacionais. Como se eles, ou parte deles, fossem culpados de uma plataforma não responder ao que se pretendia, acusando “alguns” professores de estarem contra a mudança, e ele, como Chefe do Governo, sacode a água do capote. Inaugurando a época balnear com uma enxurrada de asneiras.


O sistema de exames nacionais colapsou! Todas as notícias divulgadas são dramáticas. Só podem estar a brincar tentarem fugir à responsabilidade.


Quem viu imagens do armazém onde estavam as provas ficou bem elucidado de uma autêntica confusão, dando uma total falta de credibilidade na avaliação das provas.


Assistimos a tudo o que de mais bizarro poderíamos esperar, num processo crucial e de máxima importância para o país. A lista seria bem longa, pois desde chamarem professores classificadores que nunca deram determinadas disciplinas e matérias, chamaram professores aposentados e até um já falecido foi chamado a comparecer. Se não fosse dramático era uma verdadeira anedota!


Professores que têm de estar constantemente a consultar a plataforma para verificar se caíram mais exames para corrigir, independentemente do dia, da hora, desrespeitando a vida pessoal de cada um, obrigando a horas de trabalho bem extensas e fins de semana a tornam-se dias úteis de trabalho.


«Uma professora recebeu 70 respostas de exames nacionais para corrigir às 19h30, poucas horas antes do fim do prazo de entrega das classificações (quarta feira, 15/07/26) sendo-lhe dito que era uma situação de (emergência nacional) devido à pressão para concluir todas as correções a tempo.» (Jornal Expresso 15/07/26, às 20h30) – Surreal!


De acordo com as notícias que fomos lendo e ouvindo, a ser verdade, os exames nacionais de 2026 ficam na história como o maior falhanço no Sistema de Educação em Portugal.


Provas incompletas, e a ser verdade, imaginem agrafar sobre o QR Code... Anedótico!


Em 2025 esta plataforma, para correção de exames, foi testada numa disciplina de Filosofia e deu asneira. A plataforma não foi revista e este ano aplicou-se a todas as disciplinas e, como qualquer pessoa percebe, o caos instalou-se.


Pois é, noutros países da Europa, de uma forma gradual, foi testada a digitalização e correção eletrónica. Entre 2000 e 2010, a média do estudo deste processo foi de 10 a 15 anos.


Vinte e cinco anos depois Portugal avança, mas poucos sabem para onde.


Acredito que não necessitaria de uma década para implementar esta mudança na classificação de exames, pois já têm como exemplo o que foi feito em países que já têm o sistema bem aplicado e a funcionar em pleno. Para além do progresso das novas tecnologias de então para cá que é notória. Mas o que foi feito, foi de uma autêntica irresponsabilidade! Alguns pensam que somos mais espertos que os outros? Não creio, e a prova está à vista.


E o impacto para os alunos e suas famílias? Não falando na ansiedade que estão a viver no momento, de dias e dias com notícias mesmo nada animadoras, também o Ministro da Educação, Fernando Alexandre, arranja mais um bode expiatório. Para além de culpas atribuídas aos professores, às escolas, também as famílias apanham com elas. Acusou de “imprudência” por terem marcado férias. Como escreveu um Professor Universitário, com ironia, «Aguardo o momento em que vão culpar os alunos por terem aparecido nos exames.»


Quanto ao pagamento de horas extraordinárias a professores classificadores, foi dito que seria pago, mas não dito pelo Governo, e sim pelo eurodeputado do PSD, Sebastião Bugalho. É para acreditar?
E quanto ao prejuízo das famílias com férias marcadas?


No dia 7 de Julho, o Observador noticiou: «Ministro da Educação promete compensar famílias afetadas por mudanças nas datas dos exames.» Disse ainda, segundo o mesmo meio de comunicação «Se houver alguma família que demonstre, de facto, que houve prejuízo, o Estado deve ressarcir.» Dia em que também afirmou que a plataforma de correção estaria, mais uma vez, em baixo durante duas horas.


À hora em que escrevo este artigo, quinta-feira,12h30m, o Jornal de Notícias avançou 1 hora antes: «Ministro não garante afixação das notas dos exames na sexta feira. Diz ele: “Estamos com dificuldades em conseguir que haja professores para algumas provas”.»


Em nota final, ficando muita coisa por relatar, deixamos aos alunos e suas famílias, aos professores e escolas, coragem para assistir ao desfecho deste tristíssimo exemplo do que é governar mal em Portugal.

Rosário Portugal