O MILAGRE DO MERCADO IMOBILIÁRIO DE COIMBRA

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A cidade dos estudantes conquistou uma nova e honrosa medalha de bronze no campeonato nacional do absurdo imobiliário. Segundo um rigoroso estudo do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o Concelho de Coimbra consolidou-se como o terceiro pior país do país — perdão, o terceiro Concelho com mais casas vagas e orgulhosamente fora do mercado.

São exatamente 7.930 fogos onde a única coisa que habita é a humidade e as aranhas. Coimbra só consegue ser superada pela metrópole de Lisboa e pela densidade de Sintra. Para uma cidade que se orgulha de acolher milhares de jovens todos os anos, os Censos já avisavam que quase 20% dos alojamentos familiares clássicos locais estão completamente vazios. É a política do "olhar e não tocar".

O Fenómeno das Casas Fantasma (mas com Renda Dinamarquesa)

Inquiridos pelos jornalistas de O Ponney sobre como é possível haver tanta casa vazia enquanto os estudantes disputam beliches em garagens convertidas por 400 euros mensais, especialistas em “feitiçaria urbana” apontam para o "mercado paralelo". Suspeita-se que parte destas 7.930 casas desabitadas estejam, na verdade, repletas de jovens que pagam a renda em numerário, num sistema de arrendamento tão invisível aos olhos do Fisco como as promessas eleitorais dos últimos executivos da autarquia.

O drama adensa-se quando o IHRU deita sal na ferida nacional, dado que das centenas de milhares de habitações vagas em Portugal, a esmagadora maioria nem sequer precisa de obras. Estão prontas. Têm tecto, têm chão, têm portas. Só não têm contratos, senhorios cooperantes ou preços compatíveis com a sobrevivência humana e os executivos da Câmara Municipal de Coimbra assobiam para o lado.

Ginásio Financeiro Conimbricense

Enquanto o Banco de Portugal e os manuais de economia insistem no absoluto irrealismo de que a prestação da casa não deve ultrapassar 35% do rendimento, em Coimbra a realidade exige um treino de alta competição. O concelho integra a lista negra dos municípios onde comprar ou arrendar exige enfiar mais de metade do ordenado num saco roto (já com os descontos que o Estado obriga), empurrando as famílias locais para a "sobrecarga financeira" — um termo técnico que significa “comer massa com atum até ao final do século”.

Perante este cenário apocalíptico na faixa litoral e sul, onde a pressão urbanística esmaga qualquer carteira, a reação da Câmara Municipal de Coimbra tem sido de uma serenidade absolutamente monástica. Em vez de medidas políticas arrojadas, expropriações de devolutos ou construção de habitação pública a sério e sem a estupidez de aceitar preços de construção absurdos, o executivo municipal parece apostar na estratégia do "esperar para ver se o problema se muda para Condeixa".

A Baixa de Coimbra continua a ver os seus prédios históricos a cair com dignidade, transformados em monumentos à inércia. Enquanto isso, o mercado imobiliário em 2026 bate recordes históricos de preços, garantindo que qualquer jovem que queira comprar um teto na sua cidade natal precise de vender um rim ou, no mínimo, descobrir petróleo no Jardim da Manga.

A comunidade aguarda agora que a autarquia lance um plano inovador: a distribuição de tendas de campismo académicas com o brasão da cidade, uma solução económica, de rápida execução e que não choca com os interesses dos grandes proprietários.

Tomás Abrantes

17-07-2026