EM COIMBRA O FUTURO É CONJUGADO NO PASSADO

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Numa altura em que os problemas de sustentabilidade exigem uma visão de futuro para as cidades, O Ponney foi analisar o radar de previsão Future Cities da Futures Platform, liderado pelo prestigiado Ph.D. Tuomo Kuosa. E a conclusão é avassaladora, pois enquanto o planeta discute sete temas-chave para o amanhã — das mudanças demográficas à segurança, Coimbra continua firmemente ancorada no século XIX, rezando para que os computadores da Praça Oito de Maio não se desliguem da tomada.


Segundo os dados científicos globais, o modelo da "cidade centralizada" faliu com a pandemia. O mundo caminha a passos largos para soluções inteligentes, digitais e centradas no cidadão. Em termos demográficos, a OMS avisa que nesta década haverá mais pessoas acima de 60 anos do que crianças com menos de 5. Países desenvolvidos inventam a "semi-reforma". Coimbra, por sua vez, inventou o "esgotamento dos seus funcionários", que processa as suas funções em processos do século XIX.


Singapura no Subsolo, Coimbra no Buraco

O relatório futurista aponta para a tendência inevitável de "Construir no Subsolo" para poupar 80% em energia. Singapura enterrou centros de dados e terminais de autocarros; Helsínquia construiu uma cidade subterrânea com piscinas ecológicas; Kuala Lumpur fez um túnel rodoviário que se transforma em canal de drenagem quando chegam as monções. Tudo pensado e projetado para aproveitar todos os recursos e conhecer bem as condições do local.


Coimbra, sempre na vanguarda da inovação criou uma Praça Europa de grandes dimensões e sem árvores para o oxigénio e sombra e mostra-se orgulhosa com uma obra onde não há aproveitamento energético e sem a devida vegetação necessária à oxigenação. Mas também já aderiu à moda do subsolo em vez de túneis de alta velocidade, prefere enterrar milhões de euros em "buracos" orçamentais, como os mais 11 milhões de derrapagem na Quinta das Bicas ou os aditamentos para "estabilização geotécnica" na Escola Eugénio de Castro. O nosso subsolo não tem centros de dados, mas tem uma capacidade extraordinária de absorver os dinheiros do PRR.


Pontes com Anfiteatros vs. Pontes com Trânsito


O estudo revela que as pontes do futuro farão mais do que ligar margens. Washington está a criar a 11th Street Bridge Park com anfiteatro e ciclovias, e Pequim exibe edifícios com pontes suspensas que abrigam escritórios, servidos pelo MULTI — o primeiro elevador do mundo sem cabos que anda para a frente, para trás, para cima e para os lados.


Em Coimbra, as inovações na mobilidade são mais modestas. O nosso elevador mais famoso continua a ser o do Mercado (quando raramente funciona), e o nosso conceito de "sistema modular de uso misto" resume-se a misturar buracos no asfalto com carris do metroBus que ninguém sabe quando começam a funcionar a sério neste Verão de 2026.


O Diagnóstico


O mundo urbaniza-se ao ritmo de 200 mil novas pessoas por dia nas cidades. Megacidades como Lagos, na Nigéria, caminham para os 80 milhões de habitantes. Coimbra caminha alegremente para os 8 mil imóveis devolutos e para uma taxa de esforço onde o cidadão comum gasta metade do salário para viver num T1 com humidade histórica.


A tecnologia digital e o planeamento estratégico baseado em resultados deviam ser a chave para a nova era. Mas enquanto o Sidewalk Labs de Toronto planeia bairros modulares e a Swisspod desenvolve um hyperloop para ligar Genebra a Zurique em 17 minutos, o executivo de Coimbra continua a tentar descobrir como se cria uma base de dados para os funcionários públicos sem que o sistema entre em colapso.
O futuro chegou, mas esqueceu-se de sair na estação de Coimbra-B.


Tomás Abrantes
17-07-2026