O ÚNICO PARTO NA HISTÓRIA QUE JÁ DURA HÁ 25 ANOS

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Se em Coimbra, testam a paciência dos condutores com a má gestão de trânsito; os atrasos dos autocarros; a forma absurda das linhas do metroBus; pois agora prepare-se para o verdadeiro recorde mundial da obstetrícia burocrática.

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, veio, esta semana, a público criticar a demora vergonhosa na construção da nova maternidade de Coimbra.
E onde é que ele fez este desabafo?

- Nada mais, nada mais menos, do que na sessão de homenagem aos médicos com 25 e 50 anos de carreira, realizada no Convento São Francisco.

A escolha do local e do evento foi de uma ironia poética monumental, há médicos a receber medalhas de ouro por meio século de serviço que já eram jovens estagiários quando se começou a prometer a tal maternidade que estava a “uns meros metros” segundo o ex-Primeiro ministro, António Costa, quando esteve em Coimbra a fazer campanha política.

Aquilo não é um processo de construção, é um Legado Arqueológico. Como disse o Bastonário, com toda a razão e azia, é «absolutamente lamentável todo este atraso e todas as promessas sucessivas que acabaram por não ser cumpridas».

A verdade é que são as grávidas e as crianças da Região Centro, que correm o risco de ver os bebés nascerem, tirarem a carta de condução e entrarem na Universidade antes de o primeiro tijolo ser assente.

Assim o Concurso está no "Limbo"Para compor este magnífico painel da eficácia pública, o vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Antunes, também esteve presente para lamentar a "lentidão". Contudo, quando os jornalistas lhe perguntaram em que fase concreta é que estava o projeto, o autarca aplicou a vacina clássica da ignorância municipal - disse que não tinha essa informação no momento.
- É extraordinário!

O maior buraco na saúde da cidade e o executivo acompanha o caso com o mesmo detalhe com que acompanha os investidores fantasma do iParque.

A verdade crua veio ao de cima pela Agência Lusa. O lançamento do concurso público por parte do Governo continua solidamente por fazer. O projeto foi misteriosamente “submetido na plataforma da Entidade Orçamental”.

Tradução do nosso O Ponney: o documento foi enfiado num computador de Lisboa e ficou em fila de espera algorítmica.

A Inteligência Artificial chegou... mas as obras ficaram na idade da pedra, para deitar mais sal na ferida dos obstetras, o Bastonário Carlos Cortes ainda discursou sobre o facto de a Inteligência Artificial (IA) ter entrado definitivamente no quotidiano clínico. Explicou ele que a IA deve "reforçar os médicos, não substituí-los".

O que parece é que o Ministério da Saúde devia era meter a Inteligência Artificial a gerir as plataformas das obras públicas. É que a inteligência humana dos nossos governantes não está a conseguir perceber como é que se lança um concurso para um hospital sem que o processo demore três gerações de obstetras.

Em Coimbra, a lentidão é 100% natural!

Até lá, celebram-se as medalhas dos veteranos, elogiam-se os "milhares de atos médicos" do Dr. Manuel Teixeira Veríssimo, e as grávidas de Coimbra continuam a fazer ginástica pré-parto... à espera que a "Entidade Orçamental" mude de plataforma.

AG
26-06-2026