O MILHÃO DA CMC PERDEU-SE NA PONTE

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O executivo Municipal de Coimbra reuniu-se na passada terça-feira, 9 de Junho de 2026, para aprovar uma daquelas benesses que fazem as delícias das fotos de campanha. Ora mais de um milhão de euros para obras locais.

A autarquia apressou-se a enviar uma nota de imprensa reluzente, prometendo mundos e fundos, desde novos ossários a parques de lazer. Tudo muito bonito, não fosse o pequeno detalhe de que, na distribuição deste bolo orçamental, o mapa das freguesias de Coimbra parece ter sofrido uma amputação severa. Alguém se esqueceu de atravessar a ponte, porque a União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas simplesmente evaporou-se da lista de milagres financeiros.

Para a malta de Almalaguês, há boas notícias, pois vão gastar mais de 65 mil euros para alargar uma curva na Estrada Nova - esperemos que a curva seja mesmo nova e não fique a meio gás. Em Brasfemes, limpam-se as bermas e as águas pluviais por 45 mil euros, enquanto em Ceira a festa faz-se com três intervenções de quase 58 mil euros para arranjar o telhado do estaleiro e dar espaço aos mortos com novos ossários. Até aqui, tudo normal.

O escândalo começa quando olhamos para o verdadeiro "Jackpot" desta tômbola municipal, o da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais (JFSAO) arrecadou a módica quantia de 316.692,97 euros. Nós sabemos que os Olivais são uma das maiores freguesias de Coimbra e do país, mas caramba, aquilo já parece o Mónaco de Coimbra!

Sim, vai haver parques infantis na rua João Moreno, parques de lazer em Mainça e requalificações para dar e vender. A grande questão que O Ponney deixa no ar é: será que a conta bancária dos Olivais precisava mesmo deste balão de oxigénio da CMC, ou a verba não devia ir para quem anda a contar tostões?

É que a União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, que é a irmã gémea da JFSAO em termos de data de nascimento e de importância, foi tratada como aquela parente pobre que ninguém convida para o almoço de domingo. Será que ali não falta verba para o desenvolvimento?

Ou o executivo acha, como acharam todos os executivos anteriores, que do lado de lá do rio a vida corre tão bem, por ser o “japao” que nem de um banco de jardim precisam?

Enquanto Santa Clara chucha no dedo, a caravana dos euros continua a andar pelas restantes freguesias. Em São Silvestre, gastam-se 53 mil euros para pôr um Espaço Cidadão na sede da junta, e em Torres do Mondego o adro vai ser remodelado pela terceira vez por mais 52 mil euros — presumimos que à terceira seja de vez.

Já a União de Assafarge e Antanhol arrecadou 75 mil euros para arranjar mais uns ossários e tratar das infiltrações, e a União de Freguesias de Coimbra, coitada, vai construir um armazém gigantesco de 500 metros quadrados na Pedrulha por uns expressivos 151 mil euros.

Até São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades levaram 145 mil euros para passear as obras entre os Covões e a Bluepharma.

Há dinheiro para todos. Há 60 mil euros para transformar a antiga escola de Alcarraques num centro cultural em Trouxemil e até 81 mil euros para segurar o muro do cemitério da Lamarosa, que decidiu ceder com as bátegas de água de Novembro de 2025.

Toda a gente leva um miminho para casa, nem que seja um muro de betão armado ou um ossário novo. No entanto, para Santa Clara e Castelo Viegas, o plano de apoio da Câmara resume-se a não aparecer neste mapa.

- Porque será?

Depois de aprovada esta enxurrada de contratos interadministrativos que ainda vão passar pelo crivo burocrático da Assembleia Municipal, resta aos moradores de Santa Clara olhar para a outra margem e acenar aos felizes contemplados dos Olivais.

No panorama dos investimentos de Coimbra, fica a nítida impressão de que para uns há lagosta e para outros nem as migalhas do pão.

NOTA DE O PONNEY: Ficamos genuinamente felizes pelos novos ossários e parques infantis aprovados pelo executivo de Coimbra. No entanto, solicitamos encarecidamente à autarquia que forneça um mapa atualizado do concelho à equipa de planeamento urbano.

É que, pela nossa contagem, a União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas continua a pagar impostos em Coimbra, mas, na hora de distribuir o milhão, parece ter sido transferida administrativamente para qualquer outro sítio. Se o problema for falta de orçamento para atravessar a Ponte de Santa Clara, O Ponney dispõe-se a pagar o bilhete dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) ao executivo da Câmara de Coimbra. Não se acanhem, o interior da margem esquerda também é Coimbra!

FAG
12-06-2026