OCULTISMO DIGITAL NO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO EM COIMBRA

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A primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário de 2026 ficou marcada por graves falhas no novo processo de classificação integralmente digital (gerida pelo EduQA - Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação), forçando o Ministério da Educação a alterar o calendário oficial e a adiar a afixação das pautas para o passado dia 17 de Julho e não chegou.

Apesar de a tutela ter garantido a disponibilização das notas, os problemas nas plataformas informáticas arrastaram a afixação oficial em várias escolas da região de Coimbra até perto da meia-noite. O processo registou ainda centenas de classificações assinaladas incorretamente, omissões de dados e cerca de 1.400 pautas colocadas sob o estado de "suspenso", obrigando os estabelecimentos de ensino a atualizações informáticas de emergência no arranque do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

Onde ainda assistimos a um triste comportamento: o Governo, na pessoa do Primeiro-ministro veio culpar alguns professores; enquanto todas as pessoas viam a trapalhada digital que ainda não estava devidamente preparada para auxiliar nas avaliações. A responsabilidade é muita e quem fica prejudicado são os alunos e as famílias!

Pois para os milhares de estudantes que disputam uma vaga na Universidade de Coimbra, a muito elogiada "modernização administrativa" do Ministério transformou-se num exercício de ansiedade em formato pixel. O caloiro moderno já não sofre por falta de estudo. Sofre, sim, porque o servidor da tutela entrou em colapso espiritual. Em Coimbra, o cenário nas escolas secundárias parecia uma vigília religiosa da era tecnológica: pais e alunos com os rostos iluminados pelos ecrãs dos telemóveis, a fazer scroll frenético até à meia-noite à espera que um algoritmo decidisse o futuro das suas vidas.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, tinha garantido que "havia todas as condições" para que o processo corresse com tranquilidade, demonstrando que a sua definição de tranquilidade inclui pânico generalizado e pautas informáticas com mais erros do que uma ata da Câmara Municipal.

O caos tecnológico atingiu contornos requintados de comédia burocrática com o aparecimento das notas em "suspenso" e classificações trocadas. Houve escolas a receber ordens explícitas para não afixar os resultados devido a incongruências absurdas enviados pelo sistema de digitalização.

Para a tutela, meter a nota de Filosofia de um aluno na pauta de Matemática de outro não é uma incompetência do sistema; é apenas a "intervenção transdisciplinar" aplicada à avaliação de forma inovadora. O atraso foi tão monumental que as matrículas dos anos de continuidade tiveram de ser prolongadas e os estudantes viram-se obrigados a decidir inscrições para a 2.ª fase em menos de 48 horas.

A resposta ao insulto logístico não tardou. A Associação Académica de Coimbra (AAC) aliou-se ao desespero dos secundaristas e lançou uma campanha de protesto com o sugestivo mote: “Isto é Gozar com Quem Estuda”. A iniciativa da Praça da República traduz na perfeição o sentimento geral de que o Ministério da Educação resolveu aplicar a "Praxis" da praxe camarária ao ensino secundário: fazer os caloiros penar na ignorância antes de os deixar entrar na academia.

As reclamações formais e os pedidos de reapreciação de provas já estão a atingir níveis históricos junto das secretarias escolares. Enquanto o governo culpa, alguns, professores publicamente. mas tenta atabalhoadamente corrigir os cabos que falharam no sistema, resta aos futuros estudantes de Coimbra esperar que a segunda fase dos exames não dependa de nenhuma ligação à internet movida a lenha.

A democracia e o acesso ao ensino superior agradecem que a próxima pauta venha escrita a esferográfica no vidro da escola. Sempre é mais fiável do que a engenharia informática da tutela.

 

JAG

24-07-2026