FOI VOCÊ QUE DISSE QUE OS «PORTUGUESES NÃO QUEREM TRABALHAR»?

Nos últimos tempos, temos assistido à campanha para a segunda volta das presidenciais, repetindo a segunda volta de 1986. Importa lembrar que, tirando o facto de ser mais uma segunda volta de eleições presidenciais, as eleições deste ano, 2026, nada têm a ver com o que se passou em 1986.
O candidato a Presidente da República, André Ventura, visitou mais uma empresa afetada pela tempestade Kristin, desta vez em A-dos-Cunhados, Torres Vedras, no distrito de Lisboa. Ainda com os prejuízos totais por contabilizar, o empresário realçou que, «se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, fechava a empresa imediatamente».
O empresário mostrou uma realidade que o candidato André Ventura contraria com as mensagens da sua campanha partidária, onde os imigrantes são vistos como uma ameaça.
Como facto: Ventura defende o fim do que apelida de política de «portas abertas». também durante os debates, nomeadamente no frente-a-frente com António José Seguro, utilizou o conceito de "substituição demográfica e cultural” para alertar sobre os riscos de uma imigração descontrolada.
Um dos momentos mais marcantes da campanha foi o uso do slogan «Isto aqui não é o Bangladesh», que gerou fortes críticas e acusações de xenofobia por parte de adversários e organizações de direitos humanos.
Se por um lado a maior parte dos imigrantes só podem entrar apenas como trabalhadores com baixos salários e, muitas vezes em posição contratual periclitante (devido à falta de informação e da barreira linguística).
Mesmo com o aumento do salário mínimo, o valor foi fixado em 920 € brutos mensais, mas após os descontos para a Segurança Social (11%), o valor líquido aproximado é de 818,80 €.
Se legalmente, os trabalhadores estrangeiros têm os mesmos direitos laborais que os cidadãos nacionais, incluindo o acesso à segurança social e proteção em caso de acidente de trabalho. O candidato André Ventura defende a limitação do acesso a apoios sociais para imigrantes, defendendo que os recursos do Estado devem priorizar os cidadãos nacionais.
Por outro lado, na visita que Ventura fez à empresa, em A-dos-Cunhados (com grande acompanhamento por vários canais de televisão) quano o empresário se queixou da falta de mão-de-obra não especializada e que só tinha um português que era engenheiro, teve este comentário por parte do candidato a Presidente de Portugal: «Mas isto acontece porque os portugueses não querem trabalhar nisto.»
Esta já não é a primeira vez que o empresário passa por uma situação semelhante. Em 2009, contudo, o ministro da Agricultura de José Sócrates deixou marca e Paulo Maria fez questão de contar a sua história para que Ventura pudesse ouvir.
«Tínhamos feito uma exploração e ela caiu toda ao chão naquela altura. Felizmente, tivemos um ministro à altura, o doutor António Serrano, ministro da Agricultura. Foi excecional. Veio para o terreno e veio dizer: "Olha, daqui a um mês eu quero estar aqui e quero mostrar aos jornalistas que vocês estão a trabalhar, nós vamos fazer o nosso trabalho.» «Foi impecável» reforçando o elogio ao Ministro da Agricultura, do governo de Sócrates, António Serrano, que não teve argumentação por parte do candidato a presidente André Ventura.
JAG
06-02-2026
