Editorial 24/04/2026

gatinho

 


SERÁ QUE FOI CUMPRIDA A PROMESSA DO 25 DE ABRIL DE 1974?

É uma questão importante de colocar depois de soprarmos as velas dos 52 anos, feitos amanhã, do 25 de Abril. A outra questão, igualmente importante, é lembrarmos o que prometeu o 25 de Abril de 1974. A promessa do 25 de Abril sempre deve ser um símbolo para nos lembrarmos que qualquer tipo de ditadura (de Direita ou de Esquerda), que oprime pelo medo, não pode voltar. Mas, entre cravos, contas de luz, água e, agora, internet e TV por cabo, convém perguntar se a liberdade de expressão também incluía a liberdade de não percebermos nada do que se passa à nossa volta. Isto é pelo ensino...ou pela instrução.

Olhemos, por exemplo, para a forma como os governos tomam medidas para Instrução e Educação de Portugal apresentado neste estranho caso de «UM PEPINO CHAMADO ITAP». É fascinante como, em democracia, conseguimos transformar legumes orçamentais em dilemas existenciais que nem o mais ávido agricultor espanhol saberia resolver.

Enquanto tentamos descascar este “pepino” da má organização do, olhamos para o todo e percebemos que «COIMBRA FORMA E A REALIDADE AJUSTA AS EXPECTATIVAS». É o eterno fado de Coimbra, pois que se sai da universidade com um canudo que promete o mundo, para logo a seguir a realidade oferece-nos um estágio que mal dá para pagar os pasteis de nata. A liberdade deu-nos o direito de estudar, acabámos por empinar, mas esqueceu-se de avisar o mercado de trabalho que nós íamos por lá aparecer.

Ora por falar em avisos e por falar em “25 de Abril”, devemos estar atento aos «OS 8 SINAIS QUE DENUNCIAM O CAMINHO PARA UMA DITADURA». É que a tirania moderna já não vem de botas cardadas; às vezes vem disfarçada com sapatilhas da marca “ New Balance” com promessa de liberdade dos pés, ou de truques de argumentação que parte para a acusação ou para um assunto que não tem nada a ver. Do género: “mas o que é que o teu partido defende?” a resposta sai sempre deste género: “então...ataca todos os partidos que são corruptos”.

Em Coimbra, por exemplo, vivemos um fenómeno curioso: «COIMBRA É DIGITALMENTE RÁPIDA, MAS LENTA COM A REALIDADE». Coimbra é muito falada pela via digital, parecida com os vídeos de gatinhos que até têm uma cultura mais elevada do que os vídeos “Brain Rot”, mas se precisarmos que um processo físico ande na Câmara Municipal, mais vale esperar que os cravos voltem a florir numa qualquer primavera desejada entre atrasos.

Por fim, há que manter o otimismo, nem que seja para não chorar sobre o leite (agora é mais o combustível) derramado. Dizem que a «EUROPA TEME AEROPORTOS PORTUGUESES, MAS COIMBRA CONTINUA EXEMPLAR». E como não haveria de ser? Sem aviões a levantar voo, não há atrasos, não há greves de bagagem e, acima de tudo, não há o risco de aterrarmos num país que se esqueceu das promessas de 74. Pois sem desenvolvimento também acabamos por cair no esquecimento.

Afinal, a maior liberdade que temos hoje é a de rir de nós próprios, enquanto esperamos que a realidade, finalmente, decida ajustar-se aos nossos sonhos.

Vamos todos construir o que foi iniciado no dia 25 de Abril de 1974.

José Augusto Gomes
Diretor do jornal digital O Ponney