Editorial 10/04/2026
ACORDA COIMBRA!
É com este grito de O Ponney que iniciamos uma nova etapa com a sátira, o humor pelo amor a Coimbra. Desse amor que acorda, pois andam para aí a dizer que Coimbra tem sono. Não aquele sono descansado de domingo à tarde, nem aquele sono de Verão, quando os estudantes abalam para as suas cidades, vilas ou aldeias.
Não é desses, mas aquele sono meio teimoso de quem insiste em carregar no botão “adiar” várias vezes. E talvez esteja na altura de acordar.
Porém com calma, que também não queremos a confusão impessoal de Lisboa; nem os apertos que sufocam mais do que os abraços de amizade do Porto. Somos Coimbra e isto significa que recebemos todos com a distância de conhecermos a sensibilidade do outro (que às vezes nos confundem com sermos “frios”), mas que exigimos que primeiro se deve respeitar o todo antes de exigir ser respeitado.
Somos sempre Coimbra e isso, também, significa que somos mordazes, satíricos, educados e sempre irreverentes cheios de paixão! Às vezes provocamos com palavras difíceis. Pois que diabo! Afinal somos uma cidade universitária.
Gostamos de cortar na casa do vizinho, mas apenas quando este vira costas, pois era de uma enorme falta de educação e absoluto constrangimento falarmos na frente do visado. O Ponney é um guardião da marca de Coimbra.
Por isso começamos pelo inevitável despertar emocional, que é a base do espírito da terra de Santa Clara. Com o artigo «O DRAMA IGNORADO DA FEIRA POPULAR EM COIMBRA». Porque uma cidade que deixa adormecer a sua feira popular está claramente a precisar de um café forte. A feira não é só luzes e música, da que agrada a todos, é mais um teste à coragem (a roda gigante e outros desafios podem provar que afinal até é simples desatarmos uma gargalhada na cara do medo), um espaço de encontros improváveis e decisões ainda mais improváveis. E, mais importante que tudo é a união da margem direita da racionalidade com a margem esquerda da emoção. Ignorar isto é quase tão grave como dizer que não se gosta do pastel de Santa Clara. Precisamos da nossa feira com mais força, nem que seja para fins terapêuticos.
Logo a seguir, piscamos os olhos duas vezes e entramos no artigo «COISAS QUE SÓ QUEM VIVE EM COIMBRA ENTENDE». Porque acordar em Coimbra não é só sair da cama, é aceitar que vais subir uma ladeira antes sequer de acordares totalmente. É perceber que “já lá vou” pode envolver planeamento estratégico digno de engenharia. E é, acima de tudo, saber que esta cidade tem uma lógica própria, talvez mais ou menos confusa, sim, mas estranhamente reconfortante.
Depois, ainda temos folgo para perguntamos «COIMBRA VERSUS OUTRAS CIDADES — QUEM GANHA?». E a resposta, como sempre, depende do critério. Se for rapidez, Coimbra perde. Se for eficiência, talvez também. Mas se for charme, memória e aquela sensação de pertença que nos apanha desprevenidos, Coimbra nem joga, porque já ganhou há muito tempo. O problema é que viver só de charme é como viver só massa e salsicha, talvez saiba bem uma vez, mas não alimenta convenientemente.
Então chega o momento de encarar a realidade com os olhos bem abertos, com o artigo «FICAR EM COIMBRA EM 2026 — SÓ SE FOR POR AMOR». E que amor é este! Um amor que aceita rendas que parecem apostas, obras que parecem eternas e transportes que funcionam com base em esperança e boa vontade. Ficar em Coimbra é um ato quase romântico. Daqueles que não fazem sentido nenhum no papel, mas fazem todo o sentido no coração.
Finalmente, o despertador toca alto em «COIMBRA EM CRISE: NA CULTURA, TURISMO, HABITAÇÃO E OBRAS». E aqui já não dá para carregar em “adiar”. A cultura precisa de palco, o turismo precisa de estratégia, a habitação precisa de soluções reais e as obras… bem, as obras precisam de acabar antes de entrarmos todos em reforma. Coimbra não pode continuar a viver neste limbo entre o passado glorioso e um futuro que parece estar sempre “para breve”.
Mas atenção que acordar não é perder a alma. Coimbra não deve, nunca, deixar de ser Coimbra, com todas as suas idiossincrasias, só precisa de ser uma versão mais desperta de si própria. Mais consciente para afirmar a sua marca diferente de qualquer outra cidade, Concelho ou Distrito de Portugal. Continuar a ter encanto, mas também ter direção. Continuar a ter história, mas saber como a aproveitar para o futuro.
Porque no fundo, e apesar de tudo, há uma verdade incontornável de que Coimbra não é só uma cidade. Com dois estados de espírito: a racionalidade e a emoção. E talvez esteja na hora desses espíritos abrirem os olhos, espreguiçar-se e finalmente equilibrar-se. Nem que seja depois de mais um café.
Depois temos a nossa Dani que nos aconselha e nos faz pensar se o que fazemos está na mesma direção da promoção da nossa saúde. Com humor como deve ser sempre.
Depois temos o artigo de opinião com enorme provocação de António Pinhas. Temos o artigo de Maria Júlia que alerta para termos “cuidado com a Júlia” - um artigo de opinião que nos faz refletir.
Ainda temos o artigo da nossa amiga incondicional sobre «NOÉLIA CASTILLO - ENTRE A REDENÇÃO DA DOR E A SOMBRA DO AMANHû.
O artigo de opinião de Otávio Ferreira não fala da putrefação...mas tem o título «PUTRAMPA» - para ler e pensar.
Agora desafiamos os nossos leitores a escreverem para a nossa redação se concordam ou não com esta nova linha satírica. O nosso e-mail é : info@oponney.pt - esperamos pela vossa opinião, crítica ou sugestão de artigos.
José Augusto Gomes
Diretor do jornal digital O Ponney

