Editorial 10/07/2026
ESTA COISA DO SOL, DA IMITAÇÃO E DE ALGUNS SACANAS
Terminam hoje as Festas da Cidade e da Rainha Santa, a ditar o regresso de Isabel de Aragão a Santa Clara. A nossa Padroeira escolheu, por vontade própria, viver e morrer do lado dos desfavorecidos — que é como quem diz, no lado puramente emotivo de Coimbra. Santa Clara é a margem esquerda dos amores carnais de Inês de Castro e da caridade pura. Do outro lado do rio, encimada pela sóbria e cinzenta torre da Universidade, fica a margem racional, onde o poder se senta à mesa a fazer contas à vida.
Diz a História que o Rei D. Dinis, que tinha o coração mais a sul e não achava grande piada a Coimbra, era homem de leis e de poesia, mas não via com bons olhos a generosidade da esposa. Para o Rei, quem abdicava dos bens materiais não fazia crescer a nação economicamente — um argumento muito apreciado pelos tecnocratas liberais de hoje.
Mas a Rainha entendia o oposto (graças a Deus), pois a sua forma de ver a boa governação exigia subir a ladeira a pé, despojar-se do ouro e perdoar.
Se olharmos para a Coimbra de hoje, percebemos que ninguém tem tempo para subir ladeiras a pé, quanto mais para ser humilde. O isolamento disfarçado de "liberdade moderna" anda a transformar a humanidade numa espécie de criatura bizarra.
As artes do disfarce estão tão avançadas que passamos a vida a subestimar o número de sacanas que nos rodeiam. São aqueles que se tentam vender como pessoas decentes e puras, mas que na verdade só usam os grossos livros de ética e de religião para segurarem as janelas quando se parte a corda da persiana.
É exatamente para desmascarar esses sacanas de colarinho branco que abrimos esta edição com a nossa manchete de capa: «UC: DOIS MILHÕES DE HIPOCRISIA». Vale a pena ler para perceber como a Reitoria fatura fortunas de Bruxelas para ensinar "inclusão" à Europa enquanto asfixia os seus próprios estudantes com estatutos medievais.
Mas nem tudo é desgraça na margem racional da cidade. O artigo «UMA ALTA MEDIDA PARA A BAIXA DE COIMBRA» traz uma réstia de esperança ao comércio tradicional, anunciando a descida do ISMT para as antigas caixas fortes da Baixa. Já na mobilidade, o caso muda de figura.
Se o choro não resolve o trânsito, o melhor é rir com a crónica «NEM O MILAGRE DAS ROSAS RESOLVEU O “METRO”», onde explicamos o mistério do metroBus que fecha as portas mal avista uma procissão. E na onda da governação "self-service" de Ana Abrunhosa, denunciamos a saloice local em «COIMBRA EM KIT "FAÇA-VOCÊ-MESMO"», o manual sueco para o conimbricense montar o seu próprio bairro.
Como nesta casa a censura não entra e ninguém fica livre de denúncia, a redação d’O Ponney fez uma rusga ao gabinete do chefe no artigo «O NOSSO DIRETOR QUER COLAR O MISTER ANTÓNIO BARBOSA NA CADERNETA». Se o JAG vai trabalhar a sério ou se lhe confiscamos os lápis, o leitor decidirá.
Não perca ainda a nossa tira de banda desenhada, onde o repórter Ponney encosta um Senhor Ministro à parede com perguntas difíceis, recebendo em troca a habitual palha burocrática das comissões de inquérito.
Nos artigos de opinião, o nosso fervoroso e um defensor incondicional da Briosa, Dr. João Maria Antunes perde a paciência com o imobilismo da AAC/OAF e avisa que o «MEDO DE INOVAR EMPEENA A BRIOSA».
A nossa estimada Manuela Jones escreve sobre a margem esquerda e o povo escolhido pela Rainha Santa, enquanto o Dr. Adriano Ferreira fecha o ramalhete com uma reflexão magistral entre o céu e a terra.
Há mais jornalismo de O Ponney para descobrir nas páginas interiores.
Desejo a todos um excelente fim de semana, com muito sol na esplanada e os desejos de uma certa chuva que nos venha regar as plantas (e arrefecer as ideias da autarquia).
Boas leituras e... BRIOOOOOSAAA!
José Augusto Gomes
Diretor de O Ponney

