O CARLITOS FALECEU

 

Há pessoas que, pelo seu carisma, nunca morrem; apenas falecem.

Uma das últimas figuras da Baixa de Coimbra, “Carlitos”, faleceu esta tarde no serviço de urgências do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Carlos Alberto dos Santos Duarte, mais conhecido por “Carlitos”, de 72 anos, não resistiu a uma paragem cardiorrespiratória sofrida na 4.ª feira à tarde, quando aguardava a sua vez numa barbearia da cidade.

Era imensamente popular, tanto no mundo académico como nos outros em eu circulava com o à-vontade que a sua modéstia lhe possibilitava, meios em que era muito estimado, mais, muito desejado.

Conhecido, primeiro, pela recolha de papel na Baixa, a que se dedicava, e de que, principalmente, obtinha os parcos proventos de que se sustentava. Raramente tinha uma expressão de azedume ou mesmo de enfado, salvo se alguém o ultrapassava nos cortejos ou solenidades em que era porta-bandeira.

Na verdade, nas alturas próprias, era vê-lo, todo senhor de si e da função, farda de gala a preceito, a “encimar” as procissões da Rainha Santa Isabel e os cortejos da Queima das Fitas e da Festa das Latas.

Faleceu o homem, não morreu o ícone. Que seja feliz lá no etéreo na companhia do Taxeira, do Tatonas, e de outros que, não o sendo por direito, foram estudantes por “adopção”.

Uma vénia, pois, ao último abencerrage(m): R.I.P. (Requiescat in Pace).