GOVERNOS A METEREM ÁGUA!

Os muitos governos foram cortando as infraestruturas em Portugal, tirando as cidades que lhes dão mais votos, Lisboa e Porto, Mas agora quem é que tem responsabilidade por todos estes desastres?
Um dos exemplos de corte de infraestruturas nacionais tem a ver com a construção da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, que foi oficialmente cancelada em Abril de 2016 pelo Governo de António Costa. A decisão inseriu-se numa revisão do Programa Nacional de Barragens que resultou também no cancelamento da barragem do Alvito e na suspensão da de Fridão.
O cancelamento foi um dos compromissos assumidos pelo PS nas negociações com os partidos à sua esquerda (Bloco de Esquerda e PCP) para viabilizar o Governo, que contestavam o impacto ambiental e a utilidade dos projetos.
O Governo, na altura de António Costa, argumentou que o sistema elétrico nacional já garantia o cumprimento das metas de energias renováveis sem necessidade destes novos empreendimentos. Por isso é que, volta que não volta, Portugal compra energía eléctrica a Espanha.
O projeto de Girabolhos não é uma "solução mágica", mas daria aos engenheiros o controlo necessário para evitar que as cheias fossem tão destrutivas como as que, agora, estamos a viver. Sem ela, a gestão do rio Mondego é feita "no limite" da segurança.
Atualmente, a Barragem da Aguieira tem de fazer todo o "trabalho pesado" colocando a possibilidade de rebentamento da barragem.
A realidade é que quando chove muito na Serra da Estrela, a Aguieira enche rapidamente e os técnicos são obrigados a libertar água para evitar que a barragem transborde, o que causa as inundações em Coimbra e no Baixo Mondego. Com Girabolhos haveria uma "primeira barreira". Girabolhos reteria a água que vem das montanhas, permitindo que a Aguieira gerisse os caudais com muito mais folga e tempo de reação.
A barragem que não foi construida funcionaria como um pulmão extra, em vez de a água chegar toda de uma vez à zona de Coimbra, ela seria travada mais acima. Evitando libertar grandes volumes de água ao mesmo tempo que as marés estão altas na Figueira da Foz.
Mas quando vem o calor e os incêndios alastram-se pela “província”, pelo Portugal esquecido, depois vêm as tempestades e, mais uma vez, a falta de investimento no chamado “interior de Portugal” (que é o mesmo que dizer todas as regiões que não são Lisboa ou Porto) acabam por ter consequências graves nestas catástrofes.
Já se diz em Coimbra que “lá estão os últimos governos a meterem água”.
Não basta virem com discursos chorosos e com a promessa de “remendos” (muitas vezes nem esses “remendos” são cumpridos - como aconteceu com os dos incêndios) - nada disso resolve um problema maior que é a desertificação de Portugal e o abandono a si mesmo.
As pessoas que se sentem ameaçadas perguntam: «Quantos desastres são necessários ainda acontecerem para os muitos Governos entenderem que se deve apostar no território fora de Lisboa e do Porto?»
AG
13-02-2026
