O SILÊNCIO DEU AZAR À BRIOSA

Confesso que este mormaço me gasta o latim e me incha as articulações, mas o meu coração sexagenário não consegue ficar indiferente ao ver a nossa AAC/OAF a colher os frutos amargos do seu próprio marasmo administrativo.
Há semanas que avisei: a preparação da Briosa corria à velocidade de uma burocracia de férias, ignorando propostas de risco zero e puro amor ao clube. Pois bem, valha-me Deus!
O silêncio ensurdecedor que veio dos gabinetes fez-se sentir em campo, e a falta de resposta à caderneta de cromos proposta pelo meu amigo e caricaturista JAG (José Augusto Gomes) acabou por atrair uma onda de azar monumental no passado fim de semana contra o Lusitânia Lourosa. A bola não espera pelo protetor solar de ninguém, mas a mística académica também não perdoa a quem a deixa na gaveta.
O castigo por este marasmo institucional começou a desenhar-se logo antes do apito inicial. Numa tremenda falta de sorte, o Mister António Barbosa viu o dinamarquês Pontus Texel lesionar-se no treino de sexta-feira, forçando a equipa a entrar com dois defesas-esquerdos adaptados: o Káká na direita e o Hélder Lopes na esquerda. O azar por não termos as caricaturas do JAG a dar alma ao plantel materializou-se aos 27 minutos, quando o Káká, completamente amaldiçoado, se atrapalhou com Ricardo Teixeira e assinou um auto-golo de se lhe tirar o chapéu.
Sem um único remate enquadrado na primeira parte e com o Lourosa a desperdiçar o segundo, fomos para o intervalo a ver o destino a cobrar a fatura da letargia dos nossos dirigentes.
No segundo tempo, a reação com a entrada de João Oliveira limpou-nos as vistas por breves instantes, mas a verdadeira injustiça estava guardada para o tribunal dos 88 minutos. Um toque inegável com a mão na bola por parte do defesa adversário levou o caso ao VAR. Para espanto das quase dez mil almas no Estádio Cidade de Coimbra, o árbitro Flávio Duarte sentenciou que a jogada foi "natural".
ORA SE ISTO NÃO É MALDIÇÃO, PELA FALTA DE RESPOSTA À PROPOSTA DE CROMOS COM AS CARICATURAS DA BRIOSA, É O QUÊ?
Ora, valha-me Deus!
Natural é a arte do nosso caricaturista, não esta cegueira jurídica!
Para fechar o caixão, aos 96’, Ni Rodrigues facilitou na secretaria da nossa defesa e Miguel Teixeira "matou" o jogo. Fica o aviso: ou a Direção tira os projetos patrióticos da gaveta e assume a identidade da Lusa Atenas, ou o losango do Mister não terá trâmites futebolísticos que nos salvem do azar!
CUIDADO que há outros jogos pela frente!
BRIOOOOOSAAA!
João Maria Antunes
