COMO TROCAR A ÉTICA POR “CLIQUES”

TIRA 7 ETICA 1

 

O jornalismo moderno descobriu uma “verdade infalível”: a ética é bonita, mas o pânico é que paga as contas.
Hoje em dia, o dilema de qualquer redação resume-se a uma escolha muito simples. Ou passas dez horas a verificar fontes para escrever um artigo sério que três intelectuais e a tua mãe vão ler, ou inventas um escândalo em cinco minutos. O medo, o sexo e a pirotecnia garantem o ordenado do mês graças aos cliques dos indignados das redes sociais. Se dá visualizações, é notícia!


O grande erro da profissão foi achar que o público queria transparência. O público não quer que lhe iluminem o caminho; quer ver o circo pegar fogo e, se possível, saber quem é que estava na cama com o palhaço. O "interesse público" perdeu por goleada para o "interesse em espreitar pelo buraco da fechadura".
Dizem que a função do jornalista é acender as luzes da sociedade. Mas a imprensa atual percebeu que dá muito mais lucro vender bilhetes para o incêndio. Se a casa arder por completo, não há drama: faz-se uma reportagem especial em direto sobre as cinzas, põe-se uma música dramática de fundo e os gráficos de audiência voltam a subir.


A ética? Essa que espere na sala de espera. De preferência, sentada no chão.

O Ponney