UMA VOZ INCÓMODA

Peter Stilwell, de saída do cargo de Reitor da Universidade de São José e a caminho de Portugal para gozar uma merecida reforma, foi ontem brutalmente honesto nas declarações que prestou em Tribunal acerca do despedimento de Eric Sautedé daquela instituição de ensino.
Eric Sautedé foi despedido porque era uma voz incómoda.
Não houve processo disciplinar, justa causa, apenas um acto de gestão administrativa que procurava assegurar o bom nome da instituição académica.
E é aqui que a decisão me incomoda seriamente.
O Poder continua a reagir mal a vozes dissonantes, a críticas.
Um erro crasso, julgo eu.
A crítica, a opinião livre e esclarecida, educada, feita com elevação, enriquece o debate e os próprios intervenientes, é o húmus do segundo sistema.
Já a obediência cega, a bajulação, são falsas, plásticas.
O bajulador bajula quem julga que lhe pode ser útil, obedece a quem transitoriamente manda.
E trai facilmente.
Porque não quer auxiliar, apenas sobreviver.
O despedimento de Eric Sautedé é simbólico.
Quem é incómodo é afastado.
Tarde ou cedo quem manda perceberá que tem andado a confiar nas pessoas erradas.
Temo que seja tarde demais.