Editorial 18/12/2025
NÃO TEMOS NADA QUE ABOLIR ESCRAVOS...
Nesta quadra de festejos, que começa com o Nascimento da esperança na salvação e termina com a visita dos Reis Magos, cabe-me lembrar as palavras do Professor Agostinho da Silva que dá título a este texto. Sim, o sábio (Alquimista para alguns) escreveu no seu livro “AS APROXIMAÇÕES” que «não temos nada que abolir escravos (...)» e, mais importante, contou: «O que temos é de inventar escravos que nos não ponham, trabalhando para nós, problemas de consciência.» Claro que não passava pela cabeça do sábio que os partidos se juntavam para receber os migrantes para trabalharem por menos salário.
Não era de esperar, ao sábio, que os partidos se juntavam contra a política e gritassem todos em coro que era necessário abrir portas, não por amor ao outro, mas por necessidade de serem os escravos que os portugueses não querem ser e por isso saem de Portugal para usarem a inteligência para quem bem paga.
Os discursos contra a História, reclamando a escravatura de séculos passados, também escondem os discursos da necessidade de migrantes para serem os novos escravos do século XXI. Mudando o discurso, como os ilusionistas mudam a atenção do público, para fazerem os seus truques.
Então que dizia mais o sábio Agostinho da Silva?
Dizia que «(...) as máquinas que hoje temos à nossa disposição não são mais do que escravos de aço que só esperam que tenhamos mais um lampejo de inteligência, libertando-nos de sistemas económicos quase inteiramente superados, para os podermos utilizar a pleno rendimento.» Rendimento que deveria, também, ser usado para acolhermos o outro com amor e não pela necessidade de “mão-de-obra”.
Mais nefasto do que as guerras, que com tristeza ainda assistimos neste século XXI, é a mentalidade que procura sempre argumentos para subjugar o irmão. No passado justificava-se a escravatura com o argumento, nada humano, de que as pessoas escravizadas não eram crentes e por isso pareciam “quase animais”. Hoje argumentam os partidos que necessitam de mão-de-obra, “barata de preferência pois o mercado não comporta preços altos”, e por isso toca de defender a migração que nada tem de amor ao próximo.
É esta a guerra maior que temos: o de muitos não conseguirem ver o outro como irmão de uma viagem em direção à morte, seja qual for o argumento, não podemos deixar de ver a humanidade como um todo onde cada um é sempre irmão do outro.
Pois é nesta época de Natal, ou Nascimento da esperança na salvação, que devemos pensar e agir com amor ao próximo, com amor ao irmão.
É esta a mensagem de O Ponney nesta época onde vamos estar ausentes até ao dia 9 de Janeiro de 2026.
Nesta edição iniciamos com um artigo revelador de uma pequena melhoria na saúde em Coimbra com o artigo «ESPERA PARA ATENDIMENTO MÉDICO BAIXOU PARA 49 MINUTOS EM COIMBRA». Longe da perfeição vamos continuar a ter esperança.
Menos esperançoso é o artigo «ORÇAMENTOS PARA OBRAS PÚBLICAS ACABAM MAIS ALTOS». É importante que nos possamos indignar com esta falsa “normalidade”.
Com mais esperança temos os erros que não desejamos voltar a testemunhar em Coimbra com o artigo «ESPERA-SE CREDIBILIDADE FINANCEIRA EM COIMBRA».
Numa visão mais internacional temos o artigo com o explicito título: «CHINA CONTINUA A BRINCAR COM A EUROPA».
Surpreendentemente, esta semana, fomos confrontados com a ideia que o «ASSÉDIO MUDA CONFORME OS TEMPOS!». Um mistério que cada um pode desvendar. Nós entendemos que pensarmos pela nossa própria cabeça é perigoso para quem quer manter o poder de mortais.
Depois temos a nossa Dani para dar mais uns conselhos importantes.
Os artigos de opinião abrem com um texto da nossa sempre presente Manuela Jones para falar sobre o outro lado do Natal.
O nosso amigo António Pinhas alerta-nos para uns malfeitores em Coimbra.
Paulo Freitas do Amaral traz-nos um relato de uma injustiça no seu artigo de opinião.
Finalizamos com um certo espreitar de 2026, escrito pela nossa amiga Judite Ramos que nos eleva para espreitarmos para o outro lado do muro.
Não se esqueçam que O Ponney dá espaço e voz a todos.
Assim, desejamos umas Santas Festas com um enorme sorriso - são os votos de toda a redação de O Ponney
José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney

