Editorial 11/09/2026

EDITORIAL 11 09 26

HERÓIS SEM CAPA E VILÕES COM LUVA DE PELICA

 

Dizemos nós que só nos lembramos dos heróis depois de eles “baterem as botas”. Coimbra, com toda a sua pose de "vetusta cidade universitária", sofre exatamente da mesma amnésia. É um caso grave, pois nem a sábia Faculdade de Medicina encontrou remédio para a falta de memória, nem a prestigiada Faculdade de Direito achou legislação que force as pessoas a terem gratidão.

Mas vamos ser realistas: os verdadeiros heróis não usam capa de Super-Homem (embora alguns usem capa e batina) nem têm aquela aura da literatura clássica.

Um dos heróis esquecidos desta nossa Lusa Atenas é o Taxeira (ou Tacheira, ou Teixeira — a grafia exata é um mistério digno de uma comissão de inquérito da Academia). Figura mítica da Praça da República, cresceu a ver a mãe vender arrufadas e tornou-se o ardina mais carismático da cidade. Tinha a voz perfeitamente rouca, um cigarro colado aos beiços e um grito de guerra inconfundível: «Olhóóó Poooonney, traz o Benfica à rasca!»

O Taxeira tinha o coração na Briosa. Era ferrenho, ao ponto de ter lugar cativo no autocarro da Académica. Mas o verdadeiro respeito conquistou-o dos estudantes. Em 1997, quando quase cegou de um olho, a DG/AAC lançou a mítica “Operação ao Olho”. Foi um sucesso: pagaram-se os tratamentos e provou-se que a solidariedade estudantil funciona melhor do que o Serviço Nacional de Saúde. O Taxeira era isto (e decerto muito mais) um homem que dava mais do que recebia, com uma nobreza de espírito que muitos doutores de cátedra nem com três doutoramentos conseguem cheirar.

Feita a devida vénia ao Taxeira, O Ponney recusa-se a ficar manso e abre as hostilidades com o menu do dia (ou melhor, da semana):

«A Arte Política em Forma de Papel de Carta» Onde a nossa Câmara Municipal resolveu governar à base de burocracia fina e luvas de pelica. Muito estilo, eficácia zero.

«A Maratona na Baixa com Provas de Atletismo» Conheça as novas medidas municipais que põem a correr quem nem sequer consegue andar. É o chamado "atletismo forçado". Estranho? Sim. Real? Infelizmente, também.

«Entre o “Alcoolímetro” de Recinto e o Silêncio da Reitoria da UC» Na Reitoria a poupança é de palavras. Soprar no balão no recinto vale, mas debater a ética académica já dá uma ressaca de silêncio.

«Oposição Foge da Votação em Coimbra» Os políticos são humoristas profissionais que falharam a vocação. Quando a coisa aperta, os nossos deputados municipais põem-se ao fresco. É rir para não chorar.

«Crise dos Lixos com Gastos Sem Responsáveis» A taxa do lixo aumentou, mas o lixo continua cá. O dinheiro está a voar para algum lado, e garantimos que não é para pagar vassouras. Veja como outros Concelhos resolvem o problema sem assaltar a carteira dos munícipes.

Para além de tudo isto, espreite a nossa tira de banda desenhada sobre ÉTICA— essa ilustre desconhecida das redações modernas — e não perca as crónicas de opinião. O Otávio Ferreira traz mais um raio-X à aventura surreal que é viver em Portugal e o Manuel Jones desmonta a miséria camuflada do sistema de recolha VOLTA.

Agora, a bola está do vosso lado. Se acham que estamos a ser demasiado meigos, ou se têm algum podre local que mereça uma investigação do nosso equídeo, escrevam para: info@oponney.pt. Mandem opiniões, críticas ou insultos criativos.

Bom fim de semana (sem lixo na rua e com os políticos bem longe),

José Augusto Gomes
Diretor do jornal digital O Ponney