Editorial 04/09/2026
REGRESSÁMOS DE FÉRIAS, MAS SEM ILUSÕES!
A redação de O Ponney regressou oficialmente de férias. Vamos ser honestos: estávamos lindamente deitados à sombra, mas também estamos bem por cá, a trabalhar para a comunidade. É que o nosso sentido de dever não sofre daquele cinismo sádico e milenar.
Ao contrário da propaganda nazi que colocou a infame frase «Arbeit macht frei» («O trabalho liberta») nos portões de Auschwitz nos anos 30 como uma promessa cruel de sobrevivência através do sacrifício, nós sabemos perfeitamente que o trabalho moderno, por si só, não liberta ninguém — quanto muito, paga as contas da eletricidade e o café matinal.
A verdade nua e crua é que, hoje em dia, a linha que separa a sobrevivência digna da escravatura horária é tão fina que a maioria das pessoas entende o regresso ao trabalho como um castigo por comermos do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Vive-se para trabalhar, abdicando da família e dos sonhos, apenas para manter a doce ilusão de que se está a "viver".
E qual é a consequência disto?
Uma sociedade anestesiada. Quem trabalha apenas para não afundar acaba por desligar o botão do sentido crítico. Mas, para azar das autoridades, esse não é o público de O Ponney. Nós recusamos a anestesia e continuamos a espirrar de indignação sempre que o poder político acha que a população engole todas as asneiras como se fosse água fresca de Coimbra.
E por falar em asneiras difíceis de engolir, nesta edição trazemos a discussão e a reflexão à tona. Começamos a ferver «A Seis Dias do Bloqueio à Sofia», um assunto que merecia debate público e não decisões de gabinete à porta fechada.
Para sacudir a tal anestesia que aplaude o medo por medo, fomos investigar o fenómeno «Salazar na Mancha Negra»— abordando a questão como mote de reflexão histórica e não como um mero dedo apontado de acusação fácil.
Como o erro político em Coimbra atinge frequentemente contornos de comédia pura, rimo-nos na cara dos «Problemas de Engenharia Resolvidos com “Verniz”». É o próprio poder a estender a passadeira vermelha à piada, poupando imenso trabalho aos nossos humoristas.
Mais a sério, analisamos o veneno que está a matar a cidade de forma muito subtil. A esperteza saloia manifesta-se subrepticiamente quando «O Verdadeiro Apagão da Cidade Universitária» empurra os estudantes para fora do mercado de habitação. E para fechar os destaques de engenharia fluvial-burocrática, acompanhamos «A Chuva de Agosto que Afogou os Prazos na Guarda Inglesa», onde o argumento dos decisores municipais meteu, literalmente, água por todos os lados.
Para descontrair, temos a nossa tradicional banda desenhada, onde tentamos perceber para que raio serve o crescimento do PIB se o bolso continua vazio.
Nas páginas de opinião, o nosso amigo e advogado João Maria Antunes traz-nos uma crónica da Briosa e dos azares que teimam em não largar o clube, enquanto Otávio Ferreira descreve as alergias burocráticas no artigo «Agosto em Portugal: Crónica Satírica de um País em Estado de Urticária Institucional».
A fechar a comitiva de luxo, a nossa sempre presente Manuela Jones assina uma autêntica odisseia sob o título «Abençoado Descanso», e a escrita afiada de Maria Júlia revisita o passado com muito humor em «Antigamente não se Fazia Cerimónia com o Lixo».
Peguem no jornal, recusem a anestesia e tenham um excelente regresso ao trabalho. Se não vos libertar, ao menos que vos faça rir!
Bom fim de semana e boas leituras;
José Augusto Gomes
Diretor do jornal digital O Ponney

