A RAINHA, A SANTA ISABEL - NOSSA, DO POVO

 

 

 

Coimbra, a Cidade e os seus Cidadãos, a que se somam milhares das redondezas e do País, saem à rua para, em duas procissões, com a maior das fés, ajoelhar, rezar e venerar a Rainha Santa Isabel.

Padroeira deste sítio do Centro do País, uma urbe de tradições, de carga histórica, de factos, de episódios e recanto acolhedor do corpo dessa fiel, culta, servidora, extremosa e dedicada Mulher que, e apesar de espanhola, acabaria por casamento com o Rei D. Dinis, em Trancoso, assumir a nacionalidade portuguesa.

Não era uma Rainha qualquer, antes uma predestinada Senhora que, com uma cultura invejável, uma fé inquebrantável e uma zeladora dos pobres, dos famintos, dos doentes e dos mais escorridos da sociedade, soube cuidar dos que precisavam da sua generosa quão arrebatadora gentileza humana e pessoal.

Isabel de Aragão por nascimento, mas Isabel de Portugal por laços de matrimónio, era uma Rainha de causas humanas e não deixou de, por devoção, trazer o seu exemplo de fé em Deus, ao pontificar as suas acções com um reconhecido amor pelo seu Povo

A nossa Rainha, por saber amar o próximo, introduziu, em Portugal, com especial fervor na Região Centro e em Estremoz, o culto ao Divino Espírito Santo.

A Rainha, que foi Santa por evocação do Milagre das Rosas, esteve junto do seu Povo, compreendendo-o nas suas fraquezas, nas suas adversidades, nas suas complexidades humanas, nos seus desaires, nas suas lágrimas, nos seus sorrisos, nos seus sacrifícios e nos seus deslizes do quotidiano.

A palavra de Santa Isabel, no Paço Ducal em Coimbra e em Estremoz, por onde repartiu a vida, revigorou o povo, deu-lhe garra para ir empurrando, fortificou-o, bendizeu-o, cobriu-o de fé e manifestou-lhe esperanças, porque essa nossa Rainha soube amar.

O povo amou-a, também. Respeitou-a ainda.

Se no seu tempo, as gentes mais desamparadas a veneravam por tudo quanto fez aos mais deserdados, neste nosso tempo o povo continua a participar, passados mais de 700 anos, nas cerimónias evocativas - religiosas e profanas - que a exaltam como Senhora, Esposa, Mãe, Rainha, Mulher e Santa.

A nossa Rainha Santa Isabel continua a zelar e a guardar Coimbra e os seus povos, os residentes e os de fora, porque a sua força espiritual paira, como um manto, sobre os céus da Cidade e da Região.

A nossa Isabel, Rainha e Santa, é uma imagem serena e de enorme confiança que se abate sobre todos nós.

Ó nossa Rainha e Santa Isabel queremos saudar-vos neste tempo de festas em que vos recordamos, a vós e aos seus simpáticos quão santificados gestos, atitudes, actos, palavras, e misericordiosas e benfazejas acções.

Neste tempo de descréditos e de indecedentes exemplos, os quais molestam, e como sempre, o povo, o mais duramente atingido pela desonra dos homens, apelamos ao teu sentido de justiça e aos teus exemplos de força humana e de elevada dimensão espiritual.

Intercede por nós, principalmente pelos que estão doentes, sofrem e são vítimas das injustiças, da mais variada ordem, dos homens e de algumas Instituições.

Continua a guardar-nos, de noite e de dia, olhando com o teu ar Beatífico e Santo para Coimbra, para os conimbricenses e para todos quantos de imploram e te amam.

António Barreiros