A CHEGADA DOS CALOIROS A COIMBRA



A entrada pela ponte Manuelina ou também conhecida por “Ponte do O”:

«Minha ida para Coimbra;
O meu contentamento foi redobrando de intensidade á proporção que se me encurtava a distancia, que me separava de Coimbra. (…) Todavia tudo se soffre contente para quem deseja, cursar com aproveitamento os geraes de Coimbra.
(…)
Pela tarde do terceiro dia fomos jantar a Condeixa, divisando-se por de traz desta villa os escalvados montes, que para ella vem de leste, da parte de Ancião, e Rabaçal. Era o nosso intento demorar d'alli por diante a jornada por tal modo, que entrassemos já de noute fechada em Coimbra para evitar o encontro dos estudantes na ponte do Mondego, e os gracejos da recepção com que costumam tratar os caloiros: assim o fizemos.»
Simão José da Luz Soriano; 1860: 64

A entrada pela estação de caminhos-de-ferro:
«À chegada da caloirada a Coimbra era um dos grandes divertimentos do comêço do ano e a estação enchia-se de estudantes, como se passasse pessoa régia a quem se pudesse arrancar feriado.
No meio da multidão que vinha no combóio, o caloiro distinguia-se logo; não precisava distico; bastava a cara de comprometimento com que enfrentava a turba dos sacas de carvão.»
João Eloy; 1935(?):22

Dr. João Baeta

 

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