O MITO DA IMPARCIALIDADE DE GABINETE
Instalou-se no jornalismo moderno uma perigosa fobia da verdade, convenientemente batizada de "imparcialidade". Dizem os manuais das boas maneiras mediáticas que ser um bom profissional é ouvir, com o mesmo sorriso e o mesmo tempo de antena, quem defende que a Terra é redonda e quem jura a pés juntos que ela tem o formato de uma sanduíche de presunto.
É a política do cinismo neutro. Se um lado do espectro político afirma que os despejos estão a disparar devido ao teto absurdo das rendas, e o outro lado jura que a culpa é do alinhamento dos astros, o trabalho do jornalista não é deitar-se na almofada confortável do "disse que disse".
O jornalismo de sarjeta limita-se a transcrever os comunicados oficiais e a passar o microfone aos camaleões do costume. Já o jornalismo d’O Ponney tem uma tática muito mais simples e eficaz: abrir a janela e mostrar o tempo que faz na verdade. Mesmo que isso implique apanhar com a chuva da indignação do sistema em cima da mesa de redação.
Porque entre quem esconde os factos e quem os vive na pele, a nossa única fidelidade é à janela aberta.
O Ponney
Vosso jornalista

